Como eram os continentes há milhões de anos?
Como eram os continentes há milhões de anos?
Hoje, quando olhamos para um mapa mundo ou para um globo terrestre da Tecnodidattica, vemos os continentes distribuídos pela superfície da Terra tal como os conhecemos: a Europa e a Ásia ligadas, a África entre o oceano Atlântico e o Índico, a América separada dos restantes pelo Atlântico e a Austrália e a Antártida no hemisfério sul.
Mas será que sempre foi assim?
A resposta é não! Na realidade, os continentes estão em constante movimento e, ao longo de milhões de anos, a sua posição e configuração mudaram completamente. Se pudéssemos viajar no tempo e observar a Terra há centenas de milhões de anos, dificilmente reconheceríamos o planeta que hoje vemos representado nos
globos terrestres.
A Terra está em constante movimento
A superfície terrestre está dividida em grandes placas tectónicas que se movem muito lentamente sobre as camadas mais profundas do planeta. Apesar de este movimento ser praticamente impercetível no nosso dia a dia, ao longo de milhões de anos pode alterar completamente a configuração dos continentes.
É este movimento que está na origem da chamada tectónica de placas, responsável por femómenos como a formação de montanhas, vulcões, terramotos e pelo deslocamentos dos continentes. Para termos uma ideia, a Terra que conhecemos hoje é apenas uma fotografia momentânea de um planeta em constante mudança.
Como era há 200 milhões de anos atrás?
Um dos momentos mais conhecidos da história geológica da Terra aconteceu quando quase todas as massas continentais estavam reunidas num único supercontinente: a Pangeia.
A pangeia começou a formar-se há cerca de 300 milhões de anos e, durante muito tempo, reuniu grande parte das terras emersas do planeta. Mais tarde, começou lentamente a fragmentar-se, dando origem às massas continentais que, ao longo do tempo, se foram afastando e deslocando até chegarem às posições que conhecemos atualmente.
Se pudéssemos observar a Terra naquela época, veríamos um mundo completamente diferente, quase como se estivéssemos a olhar para um dos mais antigos capítulos da história do nossa planeta.
Uma das evidências mais conhecidas da deriva continental é a forma da costa da América do Sul e de África. Se observarmos um mapa, é fácil perceber que as duas massas de terra parecem encaixar-se como peças de um puzzle.
Esta semelhança não é uma coincidência, a separação entre os dois continentes esteve relacionada com o processo de fragmentação da Pangeia e com a formação gradual do Oceano Atlântico.
À medida que as placas tectónicas se afastaram, novas áreas de crosta oceânica foram formadas e os continentes começaram a distanciar-se.
É precisamente esta relação entre o passado e o presente que torna os globos terrestres ferramentas tão interessantes para compreender a evolução do nosso planeta: permitem-nos observar a geografia atual e imaginar as enormes transformações que ocorreram ao longo do tempo.
E antes da Pangeia?
A Pangeia não foi o primeiro supercontinente da história da Terra.
Os cientistas acreditam que, ao longo de milhares de milhões de anos, existiram vários ciclos de formação e fragmentação de grandes massas continentais. Antes da Pangeia, terá existido, por exemplo, o supercontinente Rodínia, há cerca de 1,3 mil milhões de anos.
Isto significa que a história da Terra é marcada por um movimento contínuo: os continentes juntam-se, separam-se e voltam a reorganizar-se. Um verdadeiro ciclo geológico que acontece a uma escala de tempo tão longa que é impossível de observar diretamente durante uma vida humana.
Os continentes ainda estão a mover-se
A história não terminou com a formação dos continentes atuais. Mesmo hoje, as placas tectónicas continuam a deslocar-se, embora a uma velocidade extremamente lenta.
Alguns continentes afastam-se, enquanto outros se aproximam. Ao longo de milhões de anos, estes movimentos poderão voltar a alterar profundamente a configuração do planeta e, no futuro, dar origem a novas formas de organização das massas continentais.
É possível que, daqui a centenas de milhões de anos, a Terra volte a ter um novo supercontinente. Embora seja impossível saber exatamente qual será a sua forma, os movimentos atuais das placas tectónicas permitem aos cientistas criar modelos e hipóteses sobre a evolução futura do planeta.
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